jornal Telegraph – Dublin Irlanda….
Gallaghers recompensam o ‘desempenho’ dos seus fãs mais leais.
Fãs de Oasis não são normais. Normais como gente, sem dúvida – Mas não como fãs de música.
Oasis: Conquistador de multidões.
Se existisse qualquer outra banda que tivesse lançado diretamente três álbuns medíocres e sem qualquer tipo de acerto (como Oasis fez lançando Be Here Now, Standing On The Shoulder of Giants e Heathen Chemistry), os seus fãs iriam fugir, sem dúvidas. Mas não esses. Como torcedores de um angustiado, porém respeitoso time de futebol, eles permaneceram teimosa e defensivamente fiéis durante longos períodos “meia boca” de decepção.
Esse ano, a fé de todos eles foi recompensada: um cd mais do que honrado, Don’t Believe The Truth, e uma aparição muito bem sucedida em Noise and Confusion, um novo evento musical anual no Millennium Stadium, em Cardiff. “Evento”, você pode notar, um pouco como “festival”: há apenas um palco, localizado numa luxuosa arena de esportes bem tipo um campo abandonado, e você está mais próximo de qualquer um que provavelmente o que acontece é levar uma química descarga eletrizante enquanto come um cachorro quente. Basicamente, parece mesmo como um autêntico show de Oasis.
Uma diferença: Excelentes bandas-suporte. Depois de um punhado de apresentações menores pela tarde, tudo estoura com Razorlight. Apenas com um álbum lançado em toda sua carreira, eles já pareciam bem familiarizados ao clima de grande show de estádio. Não menos porque, andando elegantemente pelo estádio sem camisa e com irritantes calças bem justas e brancas, o cantor Johnny Borrell ficou apenas com um bigode � distância do filho que Freddie Mercury nunca pode ter.
Sua postura pouco intimidada e intimidadora por assim dizer talvez tenha soado um pouco arrogante, mas se você levasse em consideração que se tinha que lidar com cerca de 75.000 estranhos numa capela de um refrão de uma música que você mesmo escreveu (lê-se nesse caso a música Golden Touch), realmente a tendência tinha que ser a de se tornar um moleque orgulhoso mesmo. Borrell era um antigo membro dos Libertines, e esse é o tipo de nível em que a banda poderia ter acontecido somente se tivesse um pouco da disciplina de Borrell.
Os roqueiros americanos do Foo Fighters, notavelmente, fizeram ainda assim com que Borrell parecesse tímido. Não em termos de confiança própria, mas de barulho absoluto mesmo. O som, poderoso, flutuou tranqüilamente pelo vácuo acima – mas foi ensurdecedor como se a gente tivesse sendo comprimido dentro de um porão pegajoso.
Tudo isso se deve a uma tempestade regida pelo líder Dave Grohl, cabelos sujos e dentes e gritos, como uma versão heavy mental do Tas Mania da Warner Bros. Dado todo o barulho, é improvável que o ex-Nirvana possa ter chegado a ouvir a reação do público, então, se você estiver pronto, Dave: Eles amaram.
O mesmo com Oasis. Os irmãos Gallagher nunca proclamaram por sua modéstia, e isso faz com que surja uma arrogância a seguir de um satisfeito urro de boas vindas com apenas um som estúpido como “Turn Up The Sun”. Mas com as favoritas mais antigas como “Bring It On Down’ e “Morning Glory”, rapidamente eles acertaram seu caminho de forma mais vigorosa.
Na verdade, “caminhar” não é sempre a palavra mais adequada pro Oasis. Muito freqüentemente, a melhor definição seria “andar lentamente”, dado a peculiar ternura de Noel Gallagher por baladas lentas e meio melosas, como “Wonderwall” e “Champagne Supernova”, assim parecendo como cães velhos ofegando até chegar em suas cestas. Mas essas foram gloriosamente equilibradas pelo bombardeio de “Cigarettes and Alcohol”, “Acquiesce” e especialmente “Mucky Fingers”.
Este, seu melhor som recente, provando que Noel Gallagher ainda tem algo deslumbrante em si – mesmo se essa coisa encantadora � s vezes soe assustadoramente como “I’m Waiting For The Man” do Velvet Underground. Mas mesmo assim, o suficiente para o público leal berrar e causar muito barulho.
